Hoje os bancos estão abertos para nós e isso era impensável, diz fundador do Guiabolso

Quatro anos atrás, o termo "fintech" não existia no Brasil. Mas os amigos Thiago Alvarez e Benjamin Gleason já apostavam em uma ideia ambiciosa de negócio: mapear os hábitos financeiros das pessoas e dar a elas conselhos sobre o que fazer com seu dinheiro.

Deu tão certo que o Guiabolso, aplicativo de finanças pessoais lançado em 2014, hoje ostenta 4,5 milhões de usuários e chegou a ser apontado como a 3ª startup mais desejada do Brasil pelo ranking do LinkedIn.

Desde sua criação, o aplicativo recebeu R$ 215 milhões em cinco rodadas de investimentos, com aportes de entidades como o International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial.

Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso, recebeu o G1 na nova sede da empresa, na cobertura do We Work, em Pinheiros, onde trabalham cerca de 200 funcionários. Ele vê espaço para atrair até 30 milhões de clientes bancários, seu principal alvo, em busca de um guia sobre como investir e controlar os gastos domésticos.

Para Alvarez, há um ambiente regulatório extremamente favorável para as fintechs e ainda há um espaço enorme para crescer. Mas ele pondera que, devido à grande quantidade de novas empresas que surgiram no segmento – mais de 350 – nem todas devem ganhar fôlego e conseguir atrair investidores.

Na série O Futuro das Fintechs, o G1 publica entrevistas com líderes e fundadores de algumas das fintechs que mais cresceram no Brasil, para falar sobre regulamentação, o cenário de concorrência e os desafios para continuar se expandindo no mercado brasileiro.

Dia 12/11: David Vélez, fundador e CEO do Nubank
Dia 19/11: Thiago Alvarez, fundador do Guiabolso
Dia 26/11: Sergio Furio, presidente da Creditas
Dia 3/12: Gustavo Chamati, CEO do Mercado Bitcoin
Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao G1.

O avanço das fintechs é inegável, mas há centenas de novas empresas buscando espaço. Como você vê esse crescimento?
É um mercado muito promissor e estamos só no começo. Existe um ambiente regulatório cada vez mais favorável, o Banco Central tem sido muito aberto, propositivo e construtivo no sentido de promover mais competição. Tem mais dinheiro entrando nesse mercado e mais fundos de investimento de olho no Brasil. Mas quando você olha as fintechs, ainda são poucas as que ganharam escala. Existe uma enormidade de novas empresas, mas elas precisam passar por vários filtros.

Quantas empresas não são só um logo? Quais estão operacionais? Quais receberam investimento? Quando você aplica esse filtro, sobra bem menos do que se vê.

Como vocês passaram por todos esses filtros?
A gente entrou cedo no ambiente de startups. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que você não tem muitos empreendedores experientes no mercado, que conhecem a empresa do nível zero. É uma geração nova que está chegando e muitos empreendedores ainda precisam amadurecer. Mas acho que agora isso já está mudando. Você não tinha um ambiente tradicional favorável e agora está tendo mais.

Qual é o público consumidor de vocês?
São jovens de 20 a 35 anos. É um público bancarizado, por isso o espaço que estamos ocupando é um pouco diferente da maioria das fintechs e empresas de cartão, em que geralmente é o primeiro produto bancário dessas pessoas. No nosso caso é diferente, a gente pega pessoas que já estão nas instituições tradicionais e damos uma visão diferente para elas sobre seu dinheiro, passa a dar aconselhamento. Nossa proposta é dar acesso a um mercado muito maior que o banco do qual a pessoa é cliente e não estar presa só àquela instituição.

Vocês receberam aportes milionários e chegaram a 4,5 milhões de usuários. Quais os próximos passos?
Estamos numa fase nova. Desde então, a gente ajudava as pessoas a consolidar e organizar as finanças, e agora buscamos ser mais próximos, mais advisors [conselheiros]. Criamos um guia por meio da inteligência artificial para ajudar as pessoas a decidir como ganhar mais ou como gastar melhor. E esse conteúdo vai ser direcionado para cada perfil. Antes, a educação financeira era mais massificada, por exemplo, quando a gente dizia que tinha 63 milhões de pessoas com nome sujo.

Agora conseguimos falar só para quem está com o nome sujo e dar dicas para sair do vermelho só para elas. É como se fosse um Netflix das finanças, com um conteúdo customizado.
Como você vê a demanda por serviços financeiros fora dos bancos?
Existe uma necessidade do lado de cliente por orientação e produtos que é gigante. O mercado ainda é dominado pelos cinco maiores bancos, geralmente com produtos caros e uma migração muito natural para produtos menores.

Quantos usuários vocês pretendem alcançar?
A gente considera que entre 20 e 30 milhões de usuários é algo factível. Olhamos algumas plataformas que existem lá fora, como nos Estados Unidos, onde tem um cartão de crédito com 80 milhões de pessoas, é muita gente. Nosso público é bancarizado e é enorme.

Vocês coletam dados bancários para oferecer o serviço do aplicativo. Como tem sido a relação com os bancos para fazer essa troca?
A relação é mista. Tem vários bancos próximos e parceiros e temos um caso específico envolvendo o Bradesco que entrou com um processo contra a gente. O caso está em segredo de justiça e não posso comentar. Mas no resto, o relacionamento é muito bom.

Como é feito esse mapeamento de dados bancários?

Hoje a gente se conecta aos cinco maiores bancos do Brasil. Dito isso, tem um tema paralelo que é o open banking, uma iniciativa que já existe na Europa e outros países, em que os reguladores obrigam os bancos a abrirem os dados para que as empresas possam, com o consentimento do usuário, ter acesso a informações deles. Isso está no começo. Se isso for regulamentado e sair do papel, o impacto pode ser gigantesco. É ótimo, porque vai permitir mais inovação no mercado.

Que inovação seria essa?
O open banking permite duas coisas: o acesso à informação e capacidade de movimentação financeira. Imagina que você está em outra plataforma que não é seu banco e ela automaticamente investe para você todo o dinheiro que sobra na conta corrente. E num fundo muito melhor que você teria no seu banco. Hoje a gente tem uma área grande de tecnologia só para conseguir fazer essas integrações.

Vocês cresceram muito rápido e chegaram a 200 funcionários, mas nos últimos meses demitiram 30%. O que aconteceu?
Foi uma mudança de estratégia. Quando a gente começou, nem se falava de fintech. E quando entramos no mundo de crédito, tivemos que montar a própria operação interna. Com o passar do tempo, outros bancos viram nossa operação e resolveram virar nossos parceiros, e eles já tinham operações de crédito. Sempre foi nosso sonho ter bancos parceiros e conseguir bons produtos deles. Então migramos nossa operação própria para eles, como um marketplace, é a estratégia da Amazon e de outras empresas no Brasil.

Você acredita que as fintechs são muito dependentes da parceria com os bancos ou são capazes de crescer com autonomia?
Fintech é um termo muito amplo. Tem fintechs que provêm tecnologia para empresas tradicionais, outras criam produtos e estão competindo de frente com bancos tradicionais. A nossa visão é ser um hub financeiro. É poder agregar as informações financeiras daquela pessoa, ajudar a organizar e a decidir onde faz sentido investir e pegar crédito. Somos mais um hub que uma empresa de produto financeiro. Isso significa que buscamos parcerias com o máximo de empresas. É nosso modelo de negócio e sempre foi a nossa ideia. É diferente de outras fintechs que têm um produto próprio.

Como tem sido o interesse das instituições financeiras em se aliar a vocês?
Estão bastante abertos e você vê essa evolução, isso era impensável antes. No começo, existia um certo ceticismo. Depois eles começaram a se interessar, mas não estavam prontos. Não conseguiam originar nada de forma digital, não sabiam abrir uma conta nem abrir crédito. E agora a gente está numa fase em que eles querem e estão prontos. O Guiabolso, apesar de ter quatro anos como produto, começou em 2012, e de certa forma antecipamos essa tendência, porque era muito cedo.

Por que os bancos mudaram esse posicionamento?
Eles viram a oportunidade de juntar o melhor de dois mundos. Quando a gente faz parceria com banco, ele tem mais acesso a capital e é mais barato que uma fintech. Ele já tem uma escala grande. A fintech tem capacidade de tecnologia e marketing que eles não têm. Para eles é uma oportunidade de avançar mais rápido e, pra nós, se fizermos sozinhos não vamos ter acesso a depósito, nem a custo de capital tão baixo. É bom para os dois lados.

Como você vê as oportunidades para as fintechs mais novas em um momento de lenta recuperação da economia?

Acho que o mercado só vai ficando melhor. Talvez seja um pouco mais difícil para quem está começando agora, com muitas empresas surgindo. Já ouço investidores comentando que, se é fintech, eles estão fora porque acham que já está saturado. O mercado evoluiu muito e isso era impensável antes.

A gente falava que ia ter que fazer tudo porque os bancos não eram abertos. Hoje eles são. Além disso, tem uma leva de investidores que olham bastante para o Brasil, como a China.
Há um movimento de aquisições, como a compra da XP Investimentos pelo Itaú. Vocês consideram a possibilidade de fusão com alguma instituição financeira?
Nosso caminho é de hub, agregador. Queremos agregar informação de todo o mercado e nos conectar com ele, mas de forma inteligente. Nesse espaço eu vejo um caminho muito mais independente.

Fonte: G1 Globo | 19/11/2018

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